"O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,/ Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia/ Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia", já dizia Fernando Pessoa via seu heterônimo Alberto Caeiro.
Pois troque o Tejo pelo rio Tâmisa que corta Londres e teremos a essência do grupo The Kinks (algo como "esquisitos", "fetiches" ou ainda "desvios sexuais").
Uma das três maiores bandas do rock inglês sessentista (isso mesmo, atrás apenas dos Beatles e dos Rolling Stones), seu líder e cantor Ray Davies entrou para a história ao compor alguns dos mais belos retratos do Reino Unido e algumas das mais ácidas críticas ao modo de vida das ilhas britânicas.
O melhor do grupo está sendo relançado a partir do mês que vem, 28 de março, em edições especiais duplas, com raridades e singles da época dos discos --foi anunciada a edição de sete dos nove primeiros álbuns, lançados entre 1964 e 1971. Ainda não há preço definido.
A Universal brasileira não tem planos de fabricá-los aqui, mas a ideia de superedições para colecionadores representa cada vez mais um tiro certo. Pink Floyd e Rolling Stones estão a caminho.
RADIOGRAFIA
Se uma única música fosse escolhida para representar a banda, seria "Waterloo Sunset" (1967), que começa metendo o pau no velho Tâmisa: "Dirty old river/ Must you keep rolling/ Flowing into the night" (velho rio sujo/ precisa continuar/ fluindo pela noite). E termina com um casal apaixonado assistindo ao pôr do sol ao lado da estação Waterloo de metrô.
A canção até hoje rende elogios, como os feitos pelos críticos Robert Cristgau ("a mais linda canção da língua inglesa") e Stephen Erlewine ("possivelmente a mais bela música da era do rock").
Na mesma linha, Ray Davies compôs uma batelada, sempre radiografando e/ou tirando sarro do inglês comum: "Afternoon Tea", "Dandy", "People Take Pictures of Each Other", "Autumn Almanac", "Village Green", "Sunny Afternoon", "Mr. Pleasant", "Dedicated Follower of Fashion" etc.
Hoje, entretanto, é outra a fase mais lembrada dos Kinks. É a do início, quando compuseram o hino protopunk, ou pré-heavy metal, "You Really Got Me".
Foi o primeiro hit da banda e chegou ao primeiro lugar das paradas em agosto de 1964. Uma série de canções parecidas veio na sequência, como "All Day and All of the Night" ou "Set Me Free".
A banda durou até 1996, mas a queda foi brutal após 1971. Ray Davies reinventou os Kinks como uma banda-teatro, com orquestra e atores no palco, e álbuns conceituais cada vez mais chatos.
Mas os nove discos do quadro abaixo são outra história: eles conseguiram transformar o Tâmisa no rio que corre pela nossa aldeia.
Pois troque o Tejo pelo rio Tâmisa que corta Londres e teremos a essência do grupo The Kinks (algo como "esquisitos", "fetiches" ou ainda "desvios sexuais").
Uma das três maiores bandas do rock inglês sessentista (isso mesmo, atrás apenas dos Beatles e dos Rolling Stones), seu líder e cantor Ray Davies entrou para a história ao compor alguns dos mais belos retratos do Reino Unido e algumas das mais ácidas críticas ao modo de vida das ilhas britânicas.
O melhor do grupo está sendo relançado a partir do mês que vem, 28 de março, em edições especiais duplas, com raridades e singles da época dos discos --foi anunciada a edição de sete dos nove primeiros álbuns, lançados entre 1964 e 1971. Ainda não há preço definido.
A Universal brasileira não tem planos de fabricá-los aqui, mas a ideia de superedições para colecionadores representa cada vez mais um tiro certo. Pink Floyd e Rolling Stones estão a caminho.
| Divulgação | ||
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| Os integrantes da banda inglesa The Kinks, que terá seus melhores discos lançados em edições de colecionador |
Se uma única música fosse escolhida para representar a banda, seria "Waterloo Sunset" (1967), que começa metendo o pau no velho Tâmisa: "Dirty old river/ Must you keep rolling/ Flowing into the night" (velho rio sujo/ precisa continuar/ fluindo pela noite). E termina com um casal apaixonado assistindo ao pôr do sol ao lado da estação Waterloo de metrô.
A canção até hoje rende elogios, como os feitos pelos críticos Robert Cristgau ("a mais linda canção da língua inglesa") e Stephen Erlewine ("possivelmente a mais bela música da era do rock").
Na mesma linha, Ray Davies compôs uma batelada, sempre radiografando e/ou tirando sarro do inglês comum: "Afternoon Tea", "Dandy", "People Take Pictures of Each Other", "Autumn Almanac", "Village Green", "Sunny Afternoon", "Mr. Pleasant", "Dedicated Follower of Fashion" etc.
Hoje, entretanto, é outra a fase mais lembrada dos Kinks. É a do início, quando compuseram o hino protopunk, ou pré-heavy metal, "You Really Got Me".
Foi o primeiro hit da banda e chegou ao primeiro lugar das paradas em agosto de 1964. Uma série de canções parecidas veio na sequência, como "All Day and All of the Night" ou "Set Me Free".
A banda durou até 1996, mas a queda foi brutal após 1971. Ray Davies reinventou os Kinks como uma banda-teatro, com orquestra e atores no palco, e álbuns conceituais cada vez mais chatos.
Mas os nove discos do quadro abaixo são outra história: eles conseguiram transformar o Tâmisa no rio que corre pela nossa aldeia.
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