Entenda Rebecca Black - Oque ela realmente quer ?

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Hoje faz duas semanas que nasceu o maior fenômeno recente da Internet, capaz de suplantar qualquer outro meme e de deixar até Charlie Sheen em segundo plano.
E é justamente por causa disso, por ontem ter sido quinta, hoje ser sexta, e estarmos estarmos estarmos tão excitados, que hoje vamos entender Rebecca Black.
Ao contrário de outros textos dessa coluna, vamos realmente tentar entender esse fenômeno, e não necessariamente zoar a pobre (nem tanto, já que deu uma grana praqueles produtores da Ark Music Factory) garota de 13 anos. Até porque, se fosse pra zoar uma criança, que fosse a amiga de rosa totalmente sem coordenação motora dançando do lado dela.


Primeiro, vamos explicar o contexto pra quem não ligou a Internet nos últimos 15 dias: Rebecca Black era uma jovem menina fã de Justin Bieber[bb] que sonhava em ser artista pop. Um dia encontrou uma fada madrinha que a concedeu seu sonho, mas apenas até a meia noite de uma sexta-feira.
Ok, é mentira, mas ela conheceu sim algo do tipo: os serviços da Ark Music Factory, uma empresa cretina, porém com uma ideia genial. Eles pegam o dinheiro de adolescentes ricos, compõem e produzem uma música pop, fazem o clipe e botam no Youtube. Isso sem falar em eventos reunindo seus “artistas” para cantarem ao vivo. Um verdadeiro freak show.

Eles têm até esse projeto de Maísa com Lady Gaga
Freak show que ganhou proporções épicas quando alguém do BuzzFeed achou o clipe Friday, da Rebecca (e poderia ter sido de qualquer outro jovem da Ark Music, a maioria é até pior que ela) e postou como a pior música de todos os tempos. E daí não demorou pra viralizar, ganhar paródias, covers e afins.
Afinal, como não viralizar uma música tão profunda sobre acordar numa sexta ansioso sobre o fim de semana e encarar o grande dilema do mundo moderno: sentar no banco da frente ou no de trás de um carro?

Muita gente na Internet já apontou para a clara analogia dessa letra, que seria a escolha entre vaginal e anal. E se você acha que esse é um tema pesado para um clipe infantil, você precisa prestar mais atenção nas crianças de hoje em dia.
Elas andam tão precoces que até os amiguinhos da Rebecca, com seus 13 anos na cara, já dirigem e frequentam a mesma festa de um rapper de 30 e tantos anos.
Mas Friday não é só sobre sexo precoce, é também sobre rejeição, esse grande mal da sociedade. Rebecca está lá, toda empolgada no banco de trás (afinal ela pode ser precoce, mas é consciente, e optou pelo caminho onde não dá pra engravidar) entre duas garotas e fala que sua amiga está à direita.
E a menina da esquerda, como fica?
Life is a bitch, and so is Rebecca.

Mas agora falando sério (coisa rara nessa coluna), o lado fanfarrão disso tudo é até bacana. O que fode é neguinho que aproveita a chance pra fazer cyberbullying, como se a garota nessa idade tivesse obrigação de ter noção da sua falta de talento e da ruindade da letra.
Mas entendo, é fácil atacar uma criança, especialmente quando ela não está ao alcance para te agarrar e te atirar no chão. A Rebecca devia namorar o Zangief Kid, ele a defenderia dessa turma de trolls e ainda geraria dezenas de vídeos incríveis de gente andando torta.

Vida Ordinária: juntando casais de memes desde… hm, 2011.
O mais irônico de tudo é que a letra de Friday não é nem de longe a pior de todos os tempos. Sim, ela é terrível, ridícula e tão bizarra que chega a ser engraçada. Mas muitas das músicas que a gente ouve (e até idolatra!) também é.
O Funny or Die listou, num post que inclusive está nos nossos Links de Sexta de hoje, 7 letras piores que a de Friday. Vamos ver alguns desses exemplos”
“There were plants
And birds
And Rocks and Things
A Horse With No Name (America[bb])

Olha, se no final você ia resumir que haviam “coisas”, não precisava ter citado o resto, né?
“He was a boy
She was a girl
Can I make it more obvious?
Sk8tr Boi (Avril Lavigne[bb])

Err… pode sim.
“Lucky that my breasts are small and humble
So you don’t confuse them with mountains
Wherever, Whenever (Shakira[bb])

Se uma frase como “Sorte que meus seios são pequenos e humildes, pois assim você não confunde eles com montanhas” é digna de uma cantora de sucesso, é hora de exigirmos para já um Grammy pra Valesca Popozuda. Ela tem coisa do mesmo naipe, mas muito mais divertida.

Daquele jeito!
Mas continuando…
“Only time will tell
If we stand the test of time”
Why Can’t This Be Love (Van Halen[bb])

Só o tempo dira se vamos superar o teste do tempo? Nossa, o Eddie Van Halen andou passando férias no Brasil e se hospedou na casa do Djavan? Ou na do Oswaldo Montenegro?
E como o post lembra bem, o maior hit de 2009, I Gotta Feeling dos Black Eyed Peas[bb] tem em certo momento um verso que é, literalmente:
“Monday, Tuesday
Wednesday and Thursday
Friday, Saturday
Saturday and Sunday”

Me expliquem: qual a diferença entre isso e Friday? A diferença é que o will.i.am pode quebrar a fuça de um troll, e a Rebecca não.
Mas podemos ir além e citar até clássicos que figuram entre as maiores canções de todos os tempos. Ou alguém aqui vai dizer que um refrão dizendo “Ela te ama! É! É! É!” é pura poesia?

Não, eu não tô comparando Rebecca Black com eles.
Aprendam a interpretar texto.
Letras medonhas sempre existiram e sempre vão existir. E vozes ruins cantando essas letras também. Me soa estranho ver gente esculachar o autotune da Rebecca e ir correndo depois ouvir Britney Spears[bb] ou Ke$ha[bb], que usam o mesmo recurso.
Não que ninguém deva rir ou zoar o clipe. Ele é bizarro e hilário, e os gifs inspirados nas cenas toscas não cansaram (ainda). Mas focar o ódio na garota soa incoerente.
Menos mal que, enquanto todos os “fodões” da Internet estejam xingando a menina a ponto de sugerirem que ela corte os pulsos no Youtube, essa piada esteja rendendo literalmente milhões de dólares pra ela na venda do single pelo iTunes.
A gente tá se divertindo, mas quem vai rir por último é ela.
Mas o que importa mesmo é que hoje é sexta. FUN FUN FUN FUN

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