Ele se auto-intitulava “o último menestrel sulista negro”; nasceu na Geórgia; seu pai e avô foram escravos, o mesmo avô que tocava banjo e o ensinou um repertório precioso de canções tradicionais do folk. Abner começou a tocar em feiras aos cinco anos. Em 1932, juntou-se ao “Silas Green Minstrels” e depois, foi trabalhar como músico de rádio, entre 1946 e 1956. Nesta época, resolveu ser um artista itinerante, percorrendo todo sul dos Estados Unidos com aquilo que chamava de “uma casa móvel, que se transforma em palco portátil, equipada com mobiliário e amplificação”; seus shows eram constituídos de uma parte musical, piadas, aforismos filosóficos e denuncias. Seu instrumental era feito com uma bateria rudimentar, gaita, uma percussão feita de ossos de vaca e galinha, que catava pelo caminho e guitarra, às vezes, tocados simultaneamente.
Ao longo dos anos, Jay lançou sua música e monólogos através de sua própria gravadora, Brandie Records (assim chamada por sua filha). Em 2003, a Subliminal Sounds lançou uma compilação de sua obra. Em 2009, o selo Mississipi Records lançou uma outra coletânea de sua obra, desta vez em vinil. Esses relançamentos fizeram surgir um interesse renovado pelo artista. Agora, gravações feitas três meses antes de sua morte, em 1993, também são lançadas pela Mississippi Records: " Last Ole Minstrel Man”, um documento rude e cru, que só deve ser consumido por fanáticos, colecionadores e iniciados, porém mais importante que ouvir Jay e falar do seu legado, algo distante da realidade atual, é o culto à oralidade e ao fazer; uma lembrança que a música da rua não pode morrer, pois ela carrega em seu interior um pouco de todos nós.
No Brasil, há um músico de rua histórico: Damião Experiência, que deve em breve ganhar um documentário; vale a pena conhecer um pouco deste vasto universo das verdades e ensinamentos da rua, mesmo que pela tela do computador!
Abner Jay – Last Ole Minstrel Man

Ouça aqui as últimas gravações de Abner, mas não espere qualidade ou algo bem estruturado, isso é apenas um registro de um manifesto, que faz sentido como fator histórico. 1. I Cried 2. Sitting On Top of the World 3. My Middle Name is the Blues 4. Love Wheel 5. Cocaine Blues 6. Too Poor to Live, Too Poor to Die
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