Keith Jarrett traz a São Paulo show guiado pela improvisação

 Nem o próprio Keith Jarrett sabe o que vai acontecer quando subir amanhã ao palco da Sala São Paulo para uma apresentação solo.
"Eu poderia dar dicas se tivesse alguma ideia, mas mesmo quando chego ao palco ainda não sei", disse o pianista norte-americano de 65 anos à Folha, por telefone, de sua propriedade rural no Estado de Nova Jersey (EUA).
"A única coisa que posso dizer é que, por uns dias, tento absorver os sentimentos do local", contou.
"Quando mudo de país, a música muda automaticamente. Tudo influencia: a língua, as cores da sala, a comida dos bastidores, como a audiência se comporta quando entro, quando ando no palco, enquanto toco."
Internacionalmente aclamado como um dos maiores improvisadores que já existiram, Jarrett faz de cada apresentação solo a ocasião em que compõe, ao vivo, música inteiramente nova.
"Muita gente acha que é mais fácil, porque venho fazendo isso há muito tempo. Na verdade, com o tempo, vai ficando mais difícil, porque meu princípio é nunca tocar o mesmo concerto. Tento sempre encontrar algo que nunca fiz", explica.

Keith Jarrett durante show em Nova York
O pianista Keith Jarrett, que traz a São Paulo show guiado pela improvisação, durante show em Nova York
O pianista, que tem uma abordagem "física" e bem peculiar do instrumento, costuma cantarolar e se contorcer durante suas famosas apresentações.
Nem os problemas de saúde, que o forçaram a um afastamento temporário do teclado no final da década de 1990, restringiram esse tipo de movimentação.
"Meu médico me apoia", diz. "Mas tenho andado com uns problemas nas costas, então não sei como vai ser aí em São Paulo."
Com gravações respeitadas no terreno da música erudita, ele chegou a dizer que se afastaria dessa área devido ao excesso de "nervosismo e perfeccionismo".
Porém estuda diariamente as sonatas de Scarlatti (1685-1757) e as "Variações Goldberg", de Bach (1685-1750) e, ao conversar com a Folha, ouvia tomadas de seu próximo CD, com as sonatas para violino e teclado de Bach, em parceria com a violinista Michelle Makarski.
No mês que vem, faz duas apresentações no Japão, especialmente importantes do ponto de vista pessoal.
"Em outubro, conheci por lá uma pessoa que se tornou minha namorada", conta.
"Nosso noticiário aqui é bem melhor do que o deles, então eu fico o tempo todo a informando sobre o que está acontecendo em seu país."

KEITH JARRETT
QUANDO amanhã, às 21h
ONDE Sala São Paulo (pça. Júlio Prestes, 16; tel. 0/xx/11/3223-3966)
QUANTO de R$ 350 a R$ 400
CLASSIFICAÇÃO livre 

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