Líder dos Strokes se 'despedaça' em show em Nova York

Julian Casablancas a os Strokes durante apresentação no festival SXSW, no Texas


 "Vocês estão muito gentis", reclama Julian Casablancas no enorme Madison Square Garden, em Nova York, depois de cantar no meio da pista no primeiro show após o lançamento do novo CD do The Strokes, "Angles" (2011), na última sexta-feira (1).
"É para me despedaçar. Da próxima vez, não me deixem sair, é só o que estou dizendo."
Bem humorado, ele manteve em alta a energia nas duas horas de um show clássico, carregado de referências oitentistas e sem nenhum efeito mirabolante que tirasse a atenção dos acordes.
Com a casa lotada, o quinteto nem precisava das atrações superespeciais, como a participação de Elvis Costello, que cantou três músicas como surpresa de 1º de abril antes de os Strokes tomarem o palco.
Depois, Costello ainda tocou com eles "Taken for a Fool", a quinta faixa de "Angles".
Tudo o que precisavam para o sucesso da noite era se a concentrar nas músicas mais antigas. O público não parecia conhecer, ou se importar, com o que veio de "Angles", um CD que a própria banda criticou após a gravação.


E eles mal se deram ao trabalho de tocar as novas criações. Depois de "Under Cover of Darkness, "Games" e "Life is Simple in the Moonlight", o vocalista pediu mais animação --"a gente toca e vocês ficam loucos, pensei que esse era o acordo".

A discrição da plateia foi rapidamente corrigida com "Someday". E Casablancas, com aquela cara eterna de ressaca, ficava claramente mais animado ao cantar "Last Nite" ("que loucura tocar essa música aqui", dizia), "Reptilia" e "Hard to Explain".

Mas se os cerca de cinco anos entre o novo trabalho e o CD anterior, "First Impressions on Earth", não renderam gravações memoráveis, o mesmo não pode ser dito quanto à performance.

A banda parecia mais madura, mais confortável, sem arrogância, mas com um tom agradável de estrela de rock à moda antiga. Jaquetas de couro e coletes brilhantes dividiam espaço com um telão de LED jogando Pac Man e Megamania, e uma disco ball gigante e o telão em preto e branco finalizavam o visual limpo da noite.

No som, o destaque para a guitarra foi claro, com solos repetidos que se aproveitavam da quase ausência de baladas mais lentas.
Ao final, "Take it or Leave it" levou Casablancas, já confessadamente bêbado, de volta ao meio da pista. E, desta vez, seu pedido foi atendido. Tiraram pedaços.

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